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Quem financia os imóveis do Brasil? FIIs e CRIs avançam; poupança perde terreno

O mercado de capitais se tornou uma das principais fontes de financiamento do setor imobiliário brasileiro e deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Impulsionada pelo crescimento dos fundos imobiliários (FIIs) e dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), essa modalidade ampliou sua participação no funding do setor, em um movimento que acompanha a expansão da indústria e a busca por alternativas ao financiamento bancário tradicional.Entre 2017 e 2026, a participação do mercado de capitais no estoque de financiamento imobiliário passou de 15,8% para 25,8%, um avanço de 10 pontos percentuais.

No mesmo intervalo, a fatia do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) recuou de 46,1% para 27,5%. Já o funding bancário avançou de 15% para 23,6%, enquanto os recursos do FGTS permaneceram praticamente estáveis, passando de 23,1% para 23%.A expansão também aparece nos números da indústria de fundos imobiliários. O patrimônio líquido dos FIIs saltou de R$ 120 bilhões em 2017 para R$ 439 bilhões em setembro de 2026.

O número de investidores chegou a 3,4 milhões, ante aproximadamente 100 mil nove anos antes. Para Bruno Gargiolli, diretor responsável pelo setor imobiliário do XP Banco de Atacado, a capacidade de adaptação foi determinante para esse crescimento. Segundo ele, a indústria passou por diferentes ciclos de juros e precisou desenvolver produtos capazes de atender às condições de mercado. A partir de 2022, por exemplo, ganharam espaço estruturas com prazo determinado, voltadas à originação de ativos em ciclos específicos, além de fundos com diferentes classes e mecanismos de subordinação para oferecer maior proteção aos investidores.“Talvez esse seja o grande ponto interessante de se analisar: a indústria de FIIs conseguiu, com inovação e disrupção, quebrar a correlação com a Selic”, afirmou Gargiolli, durante evento da XP Asset, que chega a 20 anos de atuação.Na avaliação do executivo, os fundos imobiliários também passaram a funcionar como uma espécie de cesta de renda fixa gerida ativamente por equipes especializadas, ampliando as possibilidades de financiamento e investimento no mercado brasileiro.

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