A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, nesta quinta-feira, 5, encerrou uma crise política que ameaçava seu governo e reacendeu o debate sobre a instabilidade institucional do país. O episódio tem precedentes na história recente paraguaia, marcada por disputas entre grupos políticos, tentativas de alterar a Constituição e processos de impeachment conduzidos em ritmo acelerado.A crise ganhou força após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, instituição ligada a um grupo do qual Peña foi acionista até março de 2025.
A medida deixou milhões de clientes sem acesso às contas e provocou protestos no país.Leia tambémQuem é Santiago Peña, presidente do Paraguai que renunciou nesta quinta-feira (5)Presidente paraguaio enfrentava uma crise política após problemas com um dos maiores bancos digitais do paísParlamentares da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente, com acusações de conflito de interesses, uso indevido de recursos previdenciários e encobrimento de irregularidades.
As denúncias também aprofundaram divergências dentro do Partido Colorado e enfraqueceram a sustentação política do governo.Nesta quinta-feira (5) o Congresso iniciou as discussões sobre o afastamento de Peña. O processo, porém, foi interrompido pela renúncia do mandatário antes da conclusão do caso.A rapidez com que a crise se desenrolou remete a outros episódios da história política paraguaia. O caso mais emblemático ocorreu em junho de 2012, quando o então presidente Fernando Lugo foi afastado do cargo em um processo que durou menos de 36 horas.
A rapidez da destituição provocou críticas de países vizinhos e levantou questionamentos sobre o respeito ao direito de defesa do mandatário.Lugo havia chegado ao poder em 2008, encerrando seis décadas de hegemonia do Partido Colorado. Sem maioria no Congresso, enfrentava dificuldades para governar e perdeu o apoio de parte da coalizão que o havia levado à Presidência. O estopim para o impeachment foi um confronto entre policiais e camponeses durante uma operação de reintegração de posse em Curuguaty, que deixou 17 mortos.No dia seguinte ao episódio, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment.
O Senado conduziu o julgamento e, em poucas horas, decidiu pela destituição de Lugo. O vice-presidente Federico Franco assumiu o comando do país. O procedimento foi questionado por governos da
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